CoLABOR e empresas associadas apresentam diagnóstico conjunto sobre o mercado de trabalho em Portugal

O CoLABOR – Laboratório Colaborativo para o Trabalho, Emprego e Proteção Social, em parceria com a Confederação Empresarial da Região do Minho, DST Group, Mota-Engil e Sonae, seus associados, apresenta hoje o relatório Emprego em Portugal – Diagnóstico e Recomendações de Política Pública e Estratégias Empresariais numa conferência/debate na Fundação Manuel António da Mota.

O relatório hoje apresentado, e disponível no microsite do projeto https://eep.colabor.pt/, identifica nove questões estruturais que continuam a condicionar o funcionamento e a capacidade de crescimento do mercado de trabalho português.

Nove desafios estruturais e cinco prioridades de ação

Entre os principais desafios destacam-se dificuldades de crescimento da força de trabalho, obstáculos ao recrutamento e retenção de trabalhadores, a subutilização da população ativa potencial, o desfasamento entre produtividade e salários, as inadequações do sistema fiscal, desafios associados à integração da mão de obra imigrante, necessidades de articulação entre níveis de diálogo social e negociação, e a diversificação do financiamento da Segurança Social.

A partir deste diagnóstico, o estudo identifica três grandes problemas que moldam o futuro do emprego em Portugal: défice de competências e desajustamento entre a formação disponível e as necessidades das empresas, particularmente nos setores industrial e tecnológico; dinâmicas demográficas adversas, marcadas pelo envelhecimento da população, pela emigração de jovens qualificados e pelas necessidades de integração de trabalhadores imigrantes; e baixos níveis de produtividade e baixos salários, associados a um modelo económico ainda demasiado assente em atividades de baixo valor acrescentado.

Para responder a estes desafios, o relatório propõe cinco áreas prioritárias de intervenção:

  • reconversão da economia aumentando a importância de setores estratégicos e de maior valor acrescentado;

  • valorização do ensino profissional e técnico;

  • programas de requalificação para as transições digital e verde ajustados a trabalhadores vulneráveis;

  • integração de trabalhadores imigrantes;

  • reforço da literacia fiscal e financeira ao longo da vida.

Medidas dirigidas ao Estado, às empresas e aos parceiros sociais

Entre as recomendações concretas destacam-se o reforço da articulação entre empresas e sistema educativo, a valorização de modelos integrados de ensino profissional adequadamente ligados ao tecido empresarial, programas de integração de imigrantes nos primeiros anos após a chegada a Portugal e a promoção de redes colaborativas orientadas para ganhos de produtividade com garantia de valorização salarial.

Os autores sublinham que a concretização destas medidas exige uma governação colaborativa e multinível, envolvendo Estado, empresas, sindicatos, sistema científico, autarquias e entidades do sistema de emprego e formação, sublinhando o contributo dos diferentes atores para soluções negociadas e sustentáveis no mercado de trabalho.

Defendem ainda que os desafios do mercado de trabalho requerem respostas articuladas e de longo prazo, capazes de colocar em diálogo políticas públicas, estratégias empresariais e conhecimento científico.

Metodologia

O estudo - coordenado cientificamente por uma equipa de investigadores do  CoLABOR, com contributos de especialistas externos nas áreas da política fiscal, competências e qualidade do emprego e migrações - foi desenvolvido recorrendo a métodos diversificados, nomeadamente oficinas temáticas CoLABOR, grupos focais e reuniões bilaterais com representantes de diferentes setores, entrevistas às empresas parceiras, revisão de literatura especializada, análise estatística de fontes nacionais e internacionais.


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Apresentação e debate do Relatório Emprego em Portugal: Políticas Públicas e Estratégias Empresariais